segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Minha Meia Maratona no Espírito Santo

Oi Marildo, tudo bem?
Eu queria agradecer pela incrível oportunidade de participar da Meia Maratona do Espirito Santo. 
A paisagem do percurso da corrida é inacreditável. Saímos do Shopping Mestre Álvaro, na Serra, passando pela Praia de Camburi e Praia do Canto, subindo a 3ª ponte em direção a Vila Velha, finalizando a corrida no Shopping Praia da Costa.
Foram cerca de 1200 corredores. Os capixabas sempre bem humorados, alegres, desafiadores, gentis. Os amigos corredores estavam bastante cordiais uns com os outros, cumprimentando-se, incentivando os colegas que encontravam pelo percurso e desejando uma boa corrida. 
Logo depois da largada do Shopping Mestre Álvaro, descemos a Avenida Norte Sul, passando em meio a um fragmento florestal ao lado direito da pista até o quilômetro 3, onde o verde das árvores encontrou o azul do mar. 
A Praia de Camburi estava bastante alvoroçada às 8h desse domingo. Juntamente com a Meia Maratona do Espirito Santo, as pessoas se movimentaram  para participar do Programa Medida Certa. No km 6, foi possível avistar a Ilha do Soco. O movimento das águas na quebrando na praia, o vai e vem do mar, o sol se projetando em estradas amarelas a se perder de vista, a brisa beijando o rosto e acariciando os cabelos, o céu azul daquele azul que a gente nunca mais esquece... o céu... a brisa... o sol... o mar... a vida se acelerando a cada passada, o coração pulsando mais rápido, os pés querendo criar asas...
Na orla da praia, da vontade de abrir as passadas; correr parece brincadeira de criança. No km 7, atravessamos a ponte Camburí. Ao lado direito da ponte, pequenas embarcações paradas pintavam as águas de colorido, um jetsky passou embaixo da ponte, estendendo seu rastro espumante a se perder de vista... 
Seguimos pela avenida Saturnino de Brito, passando pela praia do Canto, com uma extensão maior de areia, coqueiros espalhados, estrutura de treinamento com quadras e campo, água mansa a acalmar o desejo de voar que impulsionava cada passada.
O calor estava atordoante, os postos de hidratação traziam o que havia de mais precioso: a ÁGUA que avidamente era bebida, molhava a boca deixando uma sensação de alívio, de prazer, de alegria, reacendendo o desejo de continuar, de ir mais rápido, de ir além - e tinha a água do mar, que alimentava nossos olhos a cada passada! Ah! O mar... O mar nos deixou no km 9, onde a Avenida dos Navegantes cortou trechos de casas, prédios, centros comerciais, entrando na Rua Clóvis Machado para ter acesso à Rodovia ES 060, no km 11.
Meu maior desafio: subir a 3ª Ponte. Claro que o ritmo foi reduzido, mas a corrida não podia parar. Muitos colegas corredores tiveram que fazer o percurso andando, uma vez que o trecho era um pouco extenso. Foram cerca de 1,5 km de subida e, a cada metro, a visão ficava mais estonteante!
Tinha momentos que o cansaço batia forte forçando os olhos para o chão. Mas um amigo corredor que me acompanhou em todo o percurso  alertava: levante os olhos e veja a paisagem ao seu lado direito - venha para mais perto da beirada da ponte e olhe esse cenário. Não existem palavras para descrever o que vi, o que senti. Se meus corpo é limitado no tempo e no espaço, meus pensamentos foram até onde meus olhos alcançaram e seguiram além!
Uma sucessão de montanhas, de ilhas, águas a perder de vista, o sol brincando nas nuvens, o ambiente natural entremeado pelas construções humanas, um envolvendo o outro, um sonho de equilíbrio humano-natural que ora parece possível, ora se esvai como a areia por entre os dedos cai.
Parece possível uma convivência quando se olha , no km 13, do lado direito da ponte, o Convento Nossa Senhora da Penha, no Morro da Penha, construído em torno de 1558. A construção imponente, branca se destaca no verde da Mata Atlântica: mãos justapostas ao Criador para agradecer por tão impressionante obra-prima!
Como se fosse possível a vida ser brindada com mais presentes de Alma, ao lado esquerdo da ponte, no Morro do Moreno, com 185 metros de altitude, praticantes de parapente plainavam no céu, como nos saudando pela superação de nossos desafios.
Na descida da ponte, por cerca de 1,5 km, o sentimento era mesmo esse: se consegui chegar até aqui, completar o percurso é mais que uma possibilidade. A descida não foi muito abrupta, de modo que os joelhos ficaram bem preservados de maiores impactos. A brisa envolvendo o corpo cansado da subida impulsionava o desejo de acelerar um pouco, de abrir de novo a passada, de recuperar o tempo reduzido no trecho anterior... os pés querendo asas de novo.
Cruzamos Av. Carioca no km 15, entrando na Rua Bahia, até ganhar a Avenida Antonio Gil Veloso - de volta a praia, no km 16, a paisagem praiana nos acompanhou até o km 18, na Rua Gastão Roubach. Parecia que se esticássemos a mão um pouco mais, seria possível alcançar a Ilha Peixoto, Ilhas da Pedra da Sereia, da Tartaruga, da Monalisa, do Sapo... O mar que envolvia as ilhas me envolvia com seu cheiro de mar, com sua cor de mar, com seu sabor salgado de mar - a água doce que bebi se transubstanciava em mar dentro de mim - tenho um mar, sou um mar imenso, infinito, profundo e transpirava esse mar - a água salgado do meu mar interior escorrendo por minha testa e tocando novamente os meus lábios - Ah! o mar - tantos mares...
Segui com o meu mar interior pela Rua Des. Augusto Botelho, já no km 19, pegando um pedacinho da Rua Castelo Branco para cair na Av.  Hogo Musso e entrar na Rua Maranhão, passando pelo km 21: Reta final, agora é só abrir a passada para atravessar bonito a linha de chegada, com 2h10!
Conheci amigos corredores super legais, como o maratonista Luis que está ao meu lado. Ele deu dicas super importantes e me manteve no mesmo ritmo o tempo todo. Não imagina que fosse possível - ao correr - contemplar os pontos turísticos pelos lugares por onde iria passar e essa possibilidade de contemplação me surpreendeu. As belezas naturais que vi, a alegria do povo capixaba, o apoio das pessoas na rua incentivando os maratonistas... foram momentos de grande satisfação.
Depois, para fechar o dia, descobri num lugarzinho da praia do campo, o Wunder Bar Kaffe, onde comi uma deliciosa panqueca de frango, regada a um chopp geladíssimo e muita, muita música boa com cerca de 20 músicos em incontáveis formações de bandas!
Essa foi minha experiência em uma primeira meia-maratona - que seja a primeira de muitas, não é mesmo? Com toda a certeza, jamais teria vivenciado esses momentos se não fosse pelos amigos da 4 Corredores. Muito obrigada!
Abraços
Elaine

Um comentário:

  1. Parabéns Elaine! Que seja a primeira de muitas mesmo!
    Abraço,
    Bruno

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