quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Fisiologia do Lactato e o Treinamento Esportivo



O que é Lactato?
Lactato é um composto orgânico produzido naturalmente no corpo humano e também utilizado como fonte de energia para atividades físicas em gerais. O lactato é encontrado nos músculos, no sangue, e em vários órgãos. A presença de lactato é necessária para que o corpo funcione propriamente.
De onde vem o Lactato?
A principal fonte de produção de lactato é a quebra de carboidratos chamados de glicogênio. Glicogênio se quebra em uma substância chamada piruvato e produz energia. Geralmente esse processo é referido como Energia Anaeróbia devido a não utilização de Oxigênio. Quando piruvato se quebra ainda mais, esse processo produz ainda mais energia. Esta energia é chamada de energia aeróbia devido a utilização do Oxigênio. Se o piruvato não se quebra, este geralmente é transformado em lactato.
Por que Lactato é produzido?
Quando o piruvato é produzido, as células musculares tentam utilizá-lo como energia aeróbia. Porém, se as células não são capazes de utilizar todo o piruvato produzido, este se transforma quimicamente em lactato. Algumas células possuem grande capacidade de utilização de piruvato para energia aeróbia enquanto outras possuem uma capacidade limitada. Com o treinamento, as células musculares são capazes de se adaptar a uma maior utilização de piruvato e menor produção de lactato.
Quando Lactato é produzido?
O lactato está presente no corpo humano quando em repouso, e também durante nossas atividades diárias, apesar de serem níveis muito baixos. Enquanto você lê este documento, o lactato está sendo produzido. Porém, quando a atividade física aumenta em intensidade, também aumenta a produção de piruvato de forma rápida. Devido a sua rápida produção, nem toda a quantidade de piruvato pode ser utilizada para energia aeróbia. O excesso de piruvato então transforma-se em lactato. Está é uma das razões porque lactato é um importante indicador de treinamento. Quando lactato é produzido, isto é uma indicação de que a energia aeróbia está sendo limitada durante a atividade.
Quanto mais intensa for a atividade, maior será a produção de lactato. Um maior número de fibras musculares são recrutadas. A maioria dessas fibras não são utilizadas durante repouso ou atividade física leve. Muitas dessas fibras também são fibras de contrações rápidas que não tem a capacidade de utilizar piruvato a mesma proporção que o mesmo é produzido e, portanto, grande quantidade de piruvato acaba sendo transformado em lactato.
Para onde vai o Lactato?
O lactato é uma substancia dinâmica. Inicialmente quando é produzido, o lactato tem a tendência de sair do músculo onde se encontra, e acaba entrando em outros músculos vizinhos, na corrente sanguínea, ou no espaço entre células musculares contendo uma menor concentração de lactato. O mesmo pode rumar para outros músculos ou até em algum outro lugar no corpo.
Quando o lactato é recebido em um músculo qualquer provavelmente será transformado novamente em piruvato para ser utilizado como energia aeróbia. O treinamento aumenta a produção das enzimas que são responsáveis pela conversão de lactato em piruvato e vice-versa. O lactato pode ser utilizado como combustível pelo coração, e também pode ser convertido novamente em glucose e glicogênio no fígado. O lactato pode se mover rapidamente de uma parte do corpo para outra. Há algumas evidências em que certas quantidades de lactato podem também ser transformadas em glicogênio nos próprios músculos.
Normalmente, os músculos que tem a capacidade de utilizar piruvato como fonte de energia, buscam o mesmo na reserva armazenada pelo próprio músculo. O lactato pode também ser transportado pela corrente sanguínea aos músculos relativamente inativos, como os braços de um corredor.
O Lactato é nocivo?
Sim e não, predominantemente não. Quando o lactato é produzido nos músculos, íons de hidrogênio também são produzidos em excesso. Se houver um grande acúmulo destes íons, o músculo torna-se ácido, causando problemas nas contrações musculares durante exercício físico. Atletas descrevem este fenômeno como uma sensação de "queimação" ou "endurecimento" assim como uma redução no nível de performance. A grande maioria destes íons de hidrogênio são produzidos juntos com o lactato, e na verdade o lactato não causa fadiga muscular, mas sim o aumento do nível de acidez muscular.
Apesar de não ser uma sensação agradável para o atleta, a "queimação" ou "endurecimento" são mecanismos de defesa contra a danificações musculares. Altos níveis de acidez podem danificar as fibras musculares de forma séria. Também existem algumas especulações de que o "overtraining" é causado por constantes treinamentos que produzem altos níveis de acidez.
Como medir o nível de Lactato?
A grande maioria das medidas de lactato utilizam amostras sanguínea, apesar de alguns pesquisadores terem usado amostras musculares. Existe uma relação entre o lactato muscular e o lactato sanguíneo. Quando uma amostra de sangue é utilizada, a quantidade de lactato no sangue é expressa como uma concentração de milimols por litro. Como exemplo, os níveis de lactato em humanos durante repouso estão geralmente entre 1.0 mmol/l e 2.0 mmol/l. Os níveis de lactato em alguns atletas já foram encontrados entre 25.0-30.0 mmol/l apesar de níveis tão altos serem raros.
Deve o atleta se interessar por Lactato?
Sem dúvida por duas razões:
Primeiro, se um atleta conseguir reduzir a produção de lactato ou reduzir o período necessário para eliminação do mesmo, ele também reduzira a produção e eliminação dos íons de hidrogênio que afetam o nível de performance muscular. Recentes pesquisas indicam que apesar de reduzir a produção do lactato ser um fator importante, talvez mais importante ainda seja o fator da redução do período necessário para "remover" o lactato dos músculos. Quando o atleta está bem treinado, o corpo se torna capaz de transportar o lactato produzido para um outro local qualquer, e diminuindo assim o problema de alta concentração de lactato no mesmo músculo. Isto quer dizer que o atleta será capaz de manter um alto nível de intensidade por mais tempo se o corpo está treinado a "remover" o lactato de forma rápida.
Segundo, em eventos em que a duração é menor de dez minutos (natação - velocidade e meio-fundo, remo, atletismo, ciclismo - alta velocidade, e muitas provas de corrida), a habilidade de produzir grandes quantidades de energia na parte final destes eventos é crítica para o desempenho de alto nível. A presença de lactato no sangue indica o nível de energia que está sendo produzida. Portanto uma das maneiras mais efetivas para se testar o nível de energia que o atleta é capaz de produzir na parte final de certo evento, é medir a quantidade de lactato no sangue depois de um esforço máximo. Quanto mais alto, melhor.
O que significa o termo "remoção"?
O termo "remoção" pode ser utilizado para descrever os efeitos de dois processos diferentes mas interligados.
Primeiro, o termo "remoção" é utilizado como referência ao processo pelo qual o lactato é removido dos músculos. Evidências desse fator podem ser vista pelo aumento dos níveis de lactato no sangue quando o mesmo abandona o músculo onde foi produzido. Esse processo é também esperado considerando-se que lactato se direciona partindo de áreas de alta concentração do mesmo, para áreas de menor concentração.
Segundo, o termo "remoção" também refere-se a remoção do lactato da corrente sanguínea (Vide parágrafo acima sobre "Para onde vai o Lactato?"). Este processo é também chamado de desaparecimento do lactato. Quando o lactato é observado no sangue do atleta, o técnico está, na realidade, observando uma combinação dos processos de produção e remoção. Durante um "estado de equilíbrio", a produção e remoção do lactato se cancelam, e, portanto não há acúmulo. A limpeza do lactato do sangue auxilia na limpeza de lactato nos músculos, os quais são os mais afetados. Este é um dos conceitos mais importantes para o treinamento.
O que significa o "estado de equilíbrio"?
Quando o atleta pratica certo exercício a um ritmo e velocidade constantes por um longo período de tempo, o mesmo atleta está realizando um treinamento em estado de equilíbrio. Os níveis de lactato durante este período podem flutuar um pouco no início da atividade, mas eventualmente se equilibram em um nível constante. Alguns técnicos definem treinamento em "estado de equilíbrio" como aqueles em que o batimento cardíaco é constante. Porém, ambos os tipos de treinamento não produzem os mesmos efeitos fisiológicos.
O máximo estado de equilíbrio em velocidade ou esforço que produz um nível fixo de lactato é chamado de Limiar Lático.
O que representam os níveis de Lactato para o atleta? -
O acompanhamento dos níveis de lactato possuem duas utilizações de alta importância:
Primeiramente, o lactato é um dos melhores indicadores da evolução do treinamento. Existem três áreas de importância em que a análise do lactato assume grande relevância.
SISTEMA AERÓBIO - Uma das melhores medidas do sistema aeróbio é a velocidade ou esforço físico no nível de Limiar Lático. Outro método é utilizar um ponto fixo de referência como 4 MMOL/L de lactato. Alguns programas medem o esforço e velocidade necessários para se produzir 4 MMOL/L, mantendo um controle frequente dos resultados. Quanto maior a velocidade ou esforço necessário para se produzir o mesmo nível de lactato, mais eficiente se torna o sistema aeróbio.
SISTEMA ANAERÓBIO - Níveis máximos de lactato têm sido aceitos como a medida da quantidade de energia sendo produzida pelo sistema anaeróbio. Quando um atleta executa certa atividade a um esforço máximo, grandes quantidades de lactato são produzidas. Em condição igual, quanto mais treinado é o sistema anaeróbio, maiores os níveis de lactato produzidos em um esforço máximo. Por exemplo, se o atleta consegue aumentar a quantidade de lactato produzida sob um esforço máximo de 10 MMOL/L para 13 MMOL/L, considerando condições iguais, o mesmo atleta será capaz de completar certa distância em tempo menor.
RELAÇÃO ENTRE OS SISTEMAS AERÓBIO E ANAERÓBIO - Também considerada como medida importante, porém menos utilizada como indicador de adaptações atléticas. A maneira mais eficiente para análise dessa relação é um teste físico gradual. Este é descrito pela razão de acúmulo de lactato no sangue em relação à intensidade do exercício. Dependendo do esporte ou evento, esta medida pode ser tão importante quanto às duas anteriores: dois atletas podem produzir níveis de lactato em razões diferentes quando a intensidade do esforço físico é elevada gradualmente. Em eventos ou esportes que requerem abundante participação do sistema anaeróbio, quanto mais lenta a acumulação de lactato, melhor a performance. Se dois atletas apresentam resultados similares nos testes dos sistemas aeróbio e anaeróbio, mas também apresentam consideráveis diferenças na razão de acúmulo de lactato, os mesmos atletas produzirão resultados diferentes. O atleta que possui uma tendência de lento acúmulo apresentará melhores resultados.
O lactato é a melhor medida de intensidade de treinamento. A presença de lactato no sangue é uma indicação de que o sistema aeróbio não está sendo capaz de suportar a demanda de energia necessária para se completar a atividade. O objetivo do técnico é que o treinamento produza o stress necessário no metabolismo, nem acima e nem abaixo.
Similarmente, se o objetivo é o treinamento do sistema anaeróbio, a quantidade de lactato produzida é indicativa do sucesso do treinamento ou série específica.

Texto retirado do site www.lactate.com/ptlact1a.html#return1

quinta-feira, 21 de março de 2013

Hora do banho: limpeza em excesso pode causar doenças na pele

Recebi esse texto no dia de hoje e achei super interessante! Vale a pena ler! 


"Depois de participar de uma prova, nada melhor do que aproveitar o ritmo, correr para casa e tomar um banho para retirar as impurezas do corpo. Mas cuidado: se a ducha não for feita de maneira adequada pode ter o efeito contrário e fazer mal à saúde.
É o que explica Camila Hofbauer, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Esfregar a pele com a bucha diariamente pode ser muito prejudicial. Esse ato remove a proteção natural que temos, o manto lipídico cutâneo, deixando a derme suscetível a algumas doenças”, explica.
Segundo Hofbauer, as esponjas só devem ser usadas se a pessoa apresentar alguma mancha visível, como tinta ou terra, que não sai somente com a ajuda do sabão. Se o propósito é realizar uma esfoliação, a recomendação é usá-las uma vez por semana.
No caso de atletas, o uso do sabonete é imprescindível nas dobras como axilas, virilhas, áreas íntimas e nos pés. “Nas demais partes do corpo, muitas vezes somente a água escorrendo já é suficiente, exceto se houver sujeira visível”, completa a especialista.
Água quente - Outro hábito ruim é tomar banho com a água em temperatura muito acima do que a nossa pele suporta. O ideal é que a água esteja morna, o suficiente para não fazer grande quantidade de vapor no banheiro.
De acordo com a dermatologista, a combinação da água quente com o excesso do uso de sabonetes e buchas pode causar doenças de pele. “Quando há a remoção da proteção natural cutânea o indivíduo pode desenvolver eczema asteatósico, uma reação que provoca muita coceira, e lesões avermelhadas e descamativas, causadas pelo ressecamento”, informa Camila.
Na ducha - A dica para manter a saúde cutânea em dia é utilizar sabonetes com componente hidratante e não permanecer embaixo da água por um tempo superior a dez minutos. Na hora de passar o sabonete o recomendável é usar a espuma nas mãos para aplicá-lo e não passar o produto diretamente na pele.
A dermatologista também sugere o uso de cremes e loções hidratantes diariamente. “Esses produtos irão recompor a hidratação perdida no banho. Eles devem ser aplicados logo após o banho com a pele ainda levemente úmida para um melhor efeito hidratante”, conclui."

Abraços

Marildo Nascimento

segunda-feira, 18 de março de 2013

Técnicas de Corridas



Visando dar conhecimento aos amigos de algumas técnicas de corridas, publicamos abaixo o texto de Wanderlei de Oliveira com excelente abordagem sobre o assunto. Vale a pena conferir!


Nas técnicas de corridas, abordamos a Frequência Cardíaca Máxima (FCM), que será obtida na avaliação física. Uma maneira aproximada de descobri-la é usando a fórmula 220 - sua idade = FCM. Para achar os 70% e 80% da FCM, basta multiplicá-la por 0,7 e 0,8, respectivamente.
Rodagem: No quadro de treinamento aparece a distância que você deve percorrer e o piso indicado. O importante é completar o percurso mantendo os batimentos do coração (controlado com o pulsômetro) entre 70 e 80% da FCM.
Biomecânica (Técnica ou Educativo): Depois de fazer um trote de aquecimento de cerca de 20 minutos, faça o exercício de amplitude de passadas (de 6 a 10 séries de 100 metros, enfatizando a biomecânica do movimento: elevação dos joelhos, puxada dos calcanhares próximo aos glúteos, postura ereta, com braços paralelos ao corpo formando um ângulo de 90 graus). São três exercícios: corrida levantando os joelhos até a altura da cintura, corrida encostando os calcanhares nos glúteos e corrida levantando as pernas estendidas à frente do corpo. Quando a técnica aparecer no programa, faça três séries de 50 metros para cada um dos exercícios. Depois disso, faça um trote para desaquecer de 10 minutos.
Fartlek: Faça antes um trote de aquecimento de 20 minutos e depois a amplitude de passadas. O treino de fartlek é dividido em séries, separadas por intervalos, em que você precisa correr em ritmo forte (de 80 a 90% da FCM). A duração das séries é por tempo e será indicada no quadro de treinamento da seguinte maneira: 10 x 1' e 2'de intervalo. Ou seja, você precisa fazer 10 series de 1 minuto correndo, com 2 minutos de intervalo (trotando) entre elas. Desaqueça por 10 minutos.
Tiro: Faça antes um trote de aquecimento de 20 minutos e depois a amplitude de passadas. Também dividido em séries, só que agora a duração é por distância e não mais por tempo. No intervalo entre cada uma delas, caminhe lentamente. Ao fazer uma série, corra em ritmo forte (de 80 a 90% da FCM). Entre os corredores e técnicos de atletismo esse treino é chamado de fracionado ou intervalado, de acordo com a distância que você percorre. Desaqueça por 10 minutos.
Ritmo: Faça antes um trote de aquecimento de 20 minutos e depois a amplitude de passadas. O importante é terminar a distância (que será indicada no programa) no tempo certo, que varia para cada pessoa. Usando o teste dos 3.000 metros, você calcula seu tempo e velocidade de corrida para cada tipo de treino previsto. Desaqueça por 10 minutos.

Abraços
Marildo Nascimento


quarta-feira, 13 de março de 2013

Pré temporada - 4Corredores - Associação

PRÉ TEMPORADA
Nos dias 16 e 23/03/2013, no horário das 8h 30m as 11h e 30m, na Clínica da Faculdade de Fisioterapia na sede da Universidade Santa Cecília, teremos exclusivamente para associados “4Corredores – Associação” o início de nossas avaliações de Pré Temporada.  Mais uma vez as Faculdades de Fisioterapia e Farmácia da Unisanta, estarão atuando juntas e em parceria com a Associação 4Corredores.
Nestas datas estaremos traçando o perfil de nossa equipe através do “Acompanhamento da Rotina de Treinamento” e também do “Inquérito de Morbidade”. Além destas faremos a Avaliação Funcional onde avaliaremos os possíveis encurtamentos musculares e as estabilidades articulares. Na avaliação Farmacêutica teremos parâmetros bioquímicos de Glicemia e Pressão Arterial juntamente com “Inquérito Farmacêutico”, traçando o perfil de acompanhamento medicamentoso dos membros da equipe.
Faremos ainda o Teste de Pisada Estático e Dinâmico (Baropodometria Computadorizada). Importante ressaltar que essas avaliações são gratuitas e são essenciais para o acompanhamento por parte dos profissionais das áreas de Fisioterapia e Farmácia durante a temporada de 2013. 
Gostaríamos ainda de salientar que estas avaliações não substituem acompanhamento médico e exames preconizados antes de iniciar qualquer atividade física, principalmente os cardiológicos (Eletrocardiograma de esforço, Eco cardiograma e outros). Estes são fundamentais para a segurança na prática da atividade física, sendo recomendada sua realização periódica pelos amigos corredores.
O associado 4Corredores deverá confirmar sua presença nas avaliações de Pré Temporada por meio de e-mail: marildo@4corredores.com.br optando pelo dia e horário de sua preferência.
LOCAL:  Universidade Santa Cecília  - Unisanta
ENDEREÇO: Rua Cesário Mota – nº 08 – 1º andar - Boqueirão – Santos – São Paulo